sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Passaporte da Leitura: Como as crianças entram no mundo da linguagem

Vicente Martins



Estudos mais recentes sobre os processos linguísticos e psicolinguísticos envolvidos na aquisição da linguagem das crianças no período escolar apontam o reconhecimento das palavras escritas como o passaporte das crianças para o mundo da leitura. Aquelas que reconhecem uma palavra escrita em um texto são capazes de desenvolver uma competência discursiva imprescindível para uma boa educação leitora e, mais ainda, para conviver com os outros na sociedade do conhecimento.



Ensinar os alunos a reconhecerem as palavras escritas nos livros, nos muros, nas placas, nos ônibus, nos sites é, sem dúvida, a principal missão educacional dos professores de língua materna e da escola de Educação Básica, isto é, formar leitores hábeis durante o processo de aprendizagem escolar.

O reconhecimento da linguagem escrita não é, porém, herança genética nem dádiva dos céus. As crianças necessitam de técnicas ou estratégias de reconhecimento das palavras para a leitura proficiente. O reconhecimento da palavra envolve, substancialmente, o domínio dos elementos fonéticos e estruturais das palavras, das regras de acentuação e silabação e a aquisição de um amplo vocabulário visual. São as ambiências escolares, com o ensino sistemático da língua materna pelos professores e com o apoio dos pais, que, fundamentalmente, levam as crianças a aprenderem e reaprenderem o reconhecimento da linguagem no mundo da leitura e da escrita.

Sem o reconhecimento da palavra escrita, não é possível o desenvolvimento da capacidade de aprender, soletrar, decodificar e compreender um texto escrito. Por definição, reconhecimento da palavra é o processo de determinar a pronúncia e algum grau de significado de uma palavra na forma escrita ou impressa. Também podemos definir o reconhecimento da palavra como a identificação rápida e fácil da forma, da pronúncia e do significado apropriado de uma palavra encontrada anteriormente em texto escrito ou impresso. É ele que aproxima o mundo da escrita do mundo da leitura, a palavra escrita da palavra falada, e faz com que a leitura de um texto escrito aprimore, por sua vez, o desempenho linguístico das crianças na escola, desde a Educação Infantil à Educação Básica.

Para o reconhecimento da palavra escrita, são necessárias as seguintes habilidades linguísticas:

(1) Percepção da palavra
(2) Identificação da palavra
(3) Discriminação da palavra

1 A percepção das palavras escritas

O processo de reconhecimento da palavra requer do leitor a percepção dela. Em que consiste a percepção da palavra? Consiste na identificação visual ou auditiva de uma palavra e algum grau de significado.

Graças à percepção da palavra, o leitor tem o conhecimento do significado apropriado após sua identificação ou seu reconhecimento. A percepção das palavras dependerá, todavia, dos significados que estão presentes na identificação e no reconhecimento delas.

O linguista Ferdinand de Saussure, no início do século XX, viu nas palavras mais do que “[...] unidades da língua escrita situadas entre dois espaços em branco ou entre espaço em branco e sinal de pontuação” ou “[...] unidades pertencentes a uma das grandes classes gramaticais, como substantivo, verbo, adjetivo, advérbio, numeral, etc., não levando em conta as modificações que nelas ocorrem nas línguas flexionais, e sim, somente, o significado” (visão gramatical). As palavras vão além das categorias gramaticais, especialmente nomes, substantivos, adjetivos e advérbios.

Para Saussure, as palavras eram (e são) signos linguísticos, isto é, são unidades linguísticas constituídas socialmente pela união de um conceito, ou significado, e de uma imagem acústica, ou significante, geralmente através de uma relação arbitrária, pela qual não existe uma semelhança formal entre o significante e o significado.

O estruturalismo saussuriano entendeu por significante a “[...] imagem acústica que é associada a um significado numa língua, para formar o signo linguístico”. Segundo o mestre de Genebra, essa imagem acústica não é o som material, ou seja, a palavra falada, mas, sim, a impressão psíquica desse som. Com essa compreensão do significante, nasciam as bases da Psicolinguística, ramo da Linguística que estuda a relação mútua entre o comportamento linguístico das pessoas e os processos psicológicos que se encontram, supostamente, por trás desse comportamento.

O linguista franco-suíço entendeu que as palavras tinham, do ponto perceptual, um significante, uma imagem acústica, entendida como uma “[...] face material, sensível, do signo linguístico (significante) ligada ao significado”. Para se entender bem esse conceito, bastar-nos-á lembrar palavras que, quando ditas ou ouvidas, nos sugerem nojo, repulsa, revolta ou tristeza. Uma palavra ou frase de efeito pode levar alguém a lágrimas de alegria ou de tristeza.

Por outro lado, Saussure viu, no signo linguístico, o significado definido como “[...] conteúdo semântico de um signo linguístico; acepção, sentido, significação, conceito, noção” ou, como assinalariam, mais tarde, os linguistas contemporâneos, o significado é “[...] a face do signo linguístico que corresponde ao conceito ou conteúdo”.

A rigor, só podemos dizer que o leitor tem a percepção da palavra quando é capaz de encontrar certo grau ou matiz de significado nela; daí entenderemos que o significado é central no processo de leitura, muito mais do que uma simples soletração ou decodificação leitora. É através do significado que o leitor poderá compreender, por meio das palavras do texto, o sentido possível, viável e atribuído ao texto pelo autor. É pelo significado que o leitor constrói o sentido do texto.

A percepção da palavra, através da identificação do significado linguístico, permite o alcance do significado da palavra e do sentido do texto, na verdade, dos sentidos textuais. Pelo menos duas formas de significado podem ser decantadas através da percepção da palavra: (1) significado gramatical: noção semântica que está contida nos morfemas gramaticais de uma língua e que é estabelecida dentro de um determinado sistema linguístico e dele depende; e (2) significado lexical: recorte que a semântica de uma língua faz na realidade físico-biossocial e que constitui o conteúdo de morfemas lexicais (raízes, semantemas, radicais, etc.), substantivos, adjetivos, verbos e advérbios.

Durante a leitura, se o leitor percebe que uma palavra traz um significado gramatical e lexical, terá as bases para a compreensão literal do texto e, a partir dessa competência, poderá inferir, ou seja, atribuir sentido ao texto lido; portanto, interpretá-lo. Encontrar sentido antes, durante e depois da leitura é, na verdade, desenvolver a faculdade de sentir ou perceber, de compreender e de julgar o texto. À luz da Filosofia, diríamos que é o sentido que nos permite captar uma determinada classe ou um determinado grupo de sensações, estabelecendo um contato intuitivo e imediato com a realidade e assentando, dessa maneira, os fundamentos empíricos do processo cognitivo. A leitura é um ato cognitivo. Mais do que um ato de produção de linguagem, sua complexidade a torna uma habilidade plenamente cognitiva.

Pensando na compreensão literal durante o processo de leitura, o sentido atribuído a um texto, no primeiro momento, expressa-se como “[...] aquilo que uma palavra ou frase podem significar num contexto determinado”. Em se tratando de procedimentos de leitura, poderemos falar em compreensão literal e compreensão inferencial.

A compreensão inferencial vai além do literal, enquanto a compreensão literal possibilita a localização de informações explícitas no sentido. Graças a ele, poderemos fazer inferência, de modo a permitir, por exemplo, a identificação de informações implícitas, uma vez que identificamos o tema e distinguimos fato de opinião relacionada a esse fato.

2 A identificação das palavras escritas

A identificação da palavra escrita é o processo de determinar a pronúncia e algum grau de significado de uma palavra desconhecida.

As habilidades de identificação da palavra comumente ensinadas são as seguintes:

Análise fônica.
Análise estrutural.
Habilidade no uso de dicionários.
Indícios de configuração.
Indícios de ilustração.
Indícios do contexto.
A análise fônica na identificação da palavra

No processo de ensino-aprendizagem da leitura, a identificação das palavras ocorre a partir dos sons da fala. O processo de análise fônica envolve a associação de sons da fala com letras e a combinação desses sons em sílabas e palavras. Na leitura inicial ou na chamada decodificação leitora, os leitores disléxicos, por exemplo, deixam de desenvolver, com proficiência, a habilidade de análise fônica.

No livro Leitura: Teoria, Avaliação e Desenvolvimento (Artes Médicas, 1987), Mabel Condemarín e Felipe Alliende afirmam que o aperfeiçoamento das habilidades envolvidas na análise fônica ajuda a criança a obter a adequada pronúncia das palavras. É através da análise fônica, segundo os autores (1987, p. 99), que a criança passa a dominar, progressivamente, a ortografia de sua língua materna e desenvolve, assim, habilidades para a rápida decodificação de palavras que contenham:

Consoantes de duplo fonema, como c, g.
Consoantes de duplo grafema (dígrafos): ch, lh, nh.
Consoantes seguidas de u mudo, como gue, gui, que, qui.
Consoantes seguidas de u pronunciado, como gue, gui, que, qui.
Ditongos e encontros vocálicos.
Encontros consonantais complexos, como obs, obv, str.
Grupos consonantais, como br, dr, tr, fl, bl.
A análise estrutural da palavra

A teoria da linguagem em muito pode contribuir para o desempenho do leitor em se tratando de identificação da palavra.É o caso da estrutura e formação das palavras, aqui simplesmente chamada de análise estrutural. Se, de um lado, a pronúncia escorreita dos fonemas e a consciência fonológica ajudam na decodificação leitora, isto é, na soletração da palavra, diríamos que os morfemas são fundamentais para a identificação das palavras escritas. O que são morfemas? Morfemas são, linguisticamente, as menores unidades linguísticas que possuem significado, abarcando raízes e afixos, formas livres (ex.: mar), formas presas (ex.: sapat-, -o-, -s) e vocábulos gramaticais (preposições, conjunções).

Para o estruturalismo norte-americano, o morfema pode ter, ainda, outras manifestações, como a ordem das palavras na frase, indicando as funções sintáticas dos constituintes ou a entonação sozinha, que pode mudar o sentido de um enunciado: “Você vai.” / “Você vai?”.

Eis os principais tipos de morfema relacionados com a linguagem escrita e decantados durante o processo leitor:

Morfema derivacional: trata-se de um afixo que cria um novo vocábulo, combinando-se com um radical (ex.: -eir, -o em livreiro); afixo derivacional.
Morfema flexional: o que é empregado na flexão dos substantivos, dos adjetivos ou verbos, sem mudar a classe da palavra (ex.: o -s do plural em irmãs); afixo flexional.
Morfema gramatical: um tipo de afixo que se acrescenta aos radicais dos nomes e verbos para expressar noções gramaticais de número, gênero, caso, pessoa, tempo, modo, etc., ou vocábulo da gramática (ex.: preposições, artigos e partículas que criam relações gramaticais na frase).
Morfema lexical: cada unidade indecomponível em unidades menores pertencente ao inventário ilimitado e aberto do léxico [aqui se incluem aquelas que ocorrem independentemente e as que só ocorrem combinadas com outros morfemas (derivacionais ou gramaticais), formando palavras].
Durante a leitura, os bons e maus leitores, inclusive os que apresentam dificuldades no aprendizado da leitura (dislexia) para identificar as palavras escritas terão que encontrar os elementos do significado das palavras, como re e ler na palavra reler.

A análise estrutural é poderosa auxiliar no entendimento do significado de uma palavra como um todo.

A análise estrutural (vem da noção de estrutura da língua ou das palavras), ou análise morfêmica (vem de morfema), em geral, envolve a identificação de:

Afixos: infelizmente, em que in- é prefixo; feliz, raiz; e -mente, sufixo.
Contrações ou aglutinações: fidalgo (filho de algo).
Terminações flexionadas e derivadas (desinências): casa, casas, casinhas.
Formas com hífen: pé-de-meia.
Palavras compostas: guarda-roupa.
Raízes: cabeleira vem de cabel-o.
Silabação: depósito (substantivo) X deposito (verbo).
A análise estrutural é usada como um recurso para a pronúncia ou leitura em voz alta ou, em combinação com a análise fônica, em programas de análise das palavras nos chamados métodos fônicos de leitura, os mais indicados para os casos de dislexia fonológica, isto é, nos casos em que os disléxicos apresentam dificuldade no reconhecimento de palavras e na correspondência de letras com sons da fala (fonemas).

Os indícios de contextos da palavra

No processo de leitura, o indício do contexto permite que os leitores tenham uma informação do cenário textual imediato que ajuda a identificar uma palavra ou um grupo de palavras, como por meio de palavras, frases, sentenças, ilustrações, sintaxe, tipografia.

No processo de leitura, o indício do contexto permite que os leitores tenham uma informação do cenário textual imediato que ajuda a identificar uma palavra ou um grupo de palavras, como por meio de palavras, frases, sentenças, ilustrações, sintaxe, tipografia.



Os indícios de configuração da palavra

Nas práticas de leitura, particularmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental (1º a 5º ano, ou a partir dos seis anos), o indício de configuração é uma forma ou um contorno que auxilia na identificação da palavra. Em especial, o padrão que as letras fazem acima e abaixo do corpo principal da palavra, como em feliz, geleia, general, leitura. Graças a essa habilidade é que podemos distinguir os diversos tipos de letras na escrita:



Letra ascendente: letra cuja haste preenche o ombro superior do tipo, como d, l.
Letra caligráfica: letra manuscrita, grafada com elegância e harmonia, segundo certos padrões de estilo ou de beleza e excelência artística.
Letra capital ou capitular: letra grande, em geral ornamentada, com que se inicia um capítulo.
Letra de forma: letra impressa, letra de imprensa, letra redonda.
Letra de médico: letra ruim, pouco legível.
Letra descendente: aquela que ultrapassa a parte inferior da linha do tipo, como g.
Letra garrafal: caracter muito grande e legível.
Letra maiúscula: letra de tamanho maior e formato próprio, cuja fonética é a mesma de sua correspondente minúscula, sendo, geralmente, usada em início de períodos e de nomes próprios e como fator de destaque de certas palavras; letra capital, letra capitular, versal.
Letra média: aquela que nem é ascendente nem é descendente, como a, c, m, r, etc.; letra curta.
Letra minúscula: letra de tamanho menor em relaçãoà sua correspondente maiúscula e de formato próprio, mais apropriado para os textos em geral. É mais usada do que a maiúscula, exceto no início de período e de nome próprio.
O uso de dicionários

Na identificação das palavras, o uso de dicionários se faz necessário na medida em que desenvolve, no leitor, habilidades cognitivas relacionadas com a linguagem — como identificar uma palavra em um dicionário, na ordem alfabética, em série, respeitando a lógica da família lexical —, que são necessárias para muitos exercícios ou atividades metalinguísticas no aprendizado da leitura e da escrita.

3 Discriminação das palavras escritas

A discriminação das palavras pode ser definida como o processo de notar diferenças em palavras, especialmente em seus contornos visuais ou formais em geral. Para que isso seja possível, os leitores proficientes e, menos, os leitores disléxicos devem notar semelhanças e diferenças nas formas ou formatações das palavras escritas.

Ao certo, a discriminação visual deve ser entendida como o processo de perceber semelhanças e diferenças em estímulos por meio da visão, especialmente de textos. Sem essa capacidade, as crianças, especialmente as disléxicas, trocam grafemas (letras) simétricas como p, b, q e d.



Durante o ensino sistemático da caligrafia, na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, os professores devem levar em conta que a habilidade caligráfica está muito relacionada com a destreza e o automatismo das crianças em desenhar algumas formas básicas e geométricas. Vejamos, no quadro a seguir, a relação entre forma geométrica e signo alfabético:

Quem é capaz, na Educação Infantil, de copiar ou desenhar as figuras círculo, cruz, quadrado, triângulo e losango desenvolverá, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a habilidade de grafar as letras minúsculas e maiúsculas do alfabeto.

UM CÍRCULO
(aos 3 anos de idade)

a b c d e g o p q u h m n s
B C G O P Q U D S

UMA CRUZ
(aos 4 anos de idade)

v x z t
T X Z

UM QUADRADO
(aos 5 anos de idade)

t f z i j l r
A E F H I L M N P R

UM TRIÂNGULO
(aos 5 anos e 6 meses de idade)

v x z
A V X Z

UM LOSANGO
(aos 6 anos de idade, quando ingressa no Ensino Fundamental)

v x z
V X Z N NH I J L

Por isso, um aspecto psicopedagógico dessa capacidade de processamento é o de adquirir sensibilidade aos traços distintivos de materiais impressos comuns, como as letras, as palavras e as frases. Segundo Theodore L. Herris e Richar E. Hodges, no Dicionário de Alfabetização: Vocabulário de Leitura e Escrita (Artes Médicas, 1999, p. 84), aqueles que não desenvolvem a habilidade de discriminação visual não farão o processamento mais rápido e acurado dos textos escritos.

Sugestões de leitura

COLOMER, Teresa, CAMPS, Anna de. Fátima Murad (Trad.). Ensinar a Ler, Ensinar a Compreender. Porto Alegre: Artmed, 2002.
CONDEMARÍN, Mabel, ALLIENDE, Felipe. Leitura: Teoria, Avaliação e Desenvolvimento. Porto Alegre: Artmed, 1987.
CONDEMARÍN, Mabel, MEDINA, Alejandra. Fátima Murad (Trad.). Avaliação Autêntica: um Meio para Melhorar as Competências em Linguagem e Comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2005.
ELLIS, Andrew W. Dayse Batista (Trad.). Leitura, Escrita e Dislexia: uma Análise Cognitiva. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 1995.
GRÉGOIRE, Jacques, PIÉRART, Bernadette. Marian Regina Borges Osório (Trad.). Avaliação dos Problemas de Leitura: os Novos Modelos Teóricos e suas Implicações Diagnósticas. Porto Alegre: Artmed, 1997.
GUIMARÃES, Sandra Regina Kirchner. Aprendizagem da Leitura e da Escrita: o Papel das Habilidades Metalinguísticas. São Paulo: Vetor, 2005.
KATO, Mary. O Aprendizado da Leitura. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
KLEIMAN, Ângela. Oficina de Leitura: Teoria & Prática. Campinas: Pontes, 2001.
MARTINS, Vicente. O Método Fônico na Alfabetização de Crianças. In: CLEBSCH, Júlio. Educação 2008: as Mais Importantes Tendências na Visão dos Mais Importantes Educadores. Curitiba: Multiverso, 2008.
SMITH, Frank. Beatriz Affonso Neves (Trad.). Leitura Significativa. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 1999.

Vicente Martins é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), em Sobral, Estado do Ceará.
E-mail: vicente.martins@uol.com.br.

Fonte:http:// http://www.construirnoticias.com.br/asp/materia.asp?id=1426

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domingo, 13 de junho de 2010

Video Provas Operatorias de Piaget

quarta-feira, 14 de abril de 2010

psicopedagogia: contexto, conceito e atuação



Os primeiros Centros Psicopedagógicos foram fundados na Europa, em 1946, por J. Boutonier e George Mauco, com direção médica e pedagógica. Estes centros uniam conhecimentos da área de Psicologia, Psicanálise e Pedagogia, onde tentavam readaptar crianças com comportamentos socialmente inadequados na escola ou no lar, e atender indivíduos com dificuldades de aprendizagem.
Esperava-se através desta união Psicologia-Psicanálise-Pedagogia, conhecer a criança e o seu meio, para que fosse possível compreender a dificuldade de aprendizagem para determinar uma ação reeducadora e, diferenciar os que não aprendiam, apesar de serem inteligentes, daqueles que apresentavam alguma deficiência mental, física ou sensorial. No início a psicopedagogia teve uma trajetória de caráter médico-pedagógico. Hoje essas ações são independentes, mas complementares.
No final do século XIX educadores, psiquiatras e neuropsiquiatras preocuparam-se com as variantes que interferiam na aprendizagem e começaram a organizar novos métodos para a educação infantil. Nesta época apontaram como grandes colaboradores Seguin, Esquirol, Montessori e Decroly, entre outros.
Nos Estados Unidos, o mesmo movimento se desenrolava, porém a ênfase dada era maior nos aspectos médicos, dando um caráter biológico à abordagem das dificuldades de aprendizagem.
Na Europa o movimento originou a Psicopedagogia. Na outra vertente, o movimento americano proliferou a crença de que os problemas de aprendizagem tinham causas orgânicas e precisavam de atendimento especializado, o que influenciou parte do movimento da Psicologia Escolar. A corrente européia influenciou a Argentina, que passou a cuidar de suas pessoas portadoras de dificuldade de aprendizagem, há mais de 30 anos, realizando um trabalho de reeducação. Os conhecimentos da Psicanálise e da Psicologia Genética, além de todo o conhecimento de linguagem e de psicomotricidade, eram acionados para melhorar a compreensão das referidas dificuldades.
A psicopedagogia chegou ao Brasil em uma época, década de 70, cujas dificuldades de aprendizagem eram associadas a uma disfunção neurológica denominada de disfunção cerebral mínima (DCM) que virou moda neste período, servindo para camuflar problemas sociopedagógicos.
Sampaio(1) confirma que o Brasil recebeu influências tanto americanas, quanto européias, através da Argentina. Notadamente no sul do país, a entrada dos estudos de Quirós, Jacob Feldmann, Sara Paín, Alicia Fernández, Ana Maria Muñiz e Jorge Visca, enriqueceu o desenvolvimento desta área de conhecimento no Brasil.
Temos o professor argentino Jorge Visca como um dos maiores contribuintes da difusão psicopedagógica no Brasil. Foi o criador da Epistemologia Convergente, uma linha teórica que propõe um trabalho com a aprendizagem utilizando-se da integração de três linhas da Psicologia: Psicogenética de Piaget; Escola Psicanalítica (Freud); e a Escola de Psicologia Social de Enrique Pichon Rivière. Visca propõe o trabalho com a aprendizagem em que o principal objeto de estudo são os níveis de inteligência, com as teorizações da psicanálise sobre as manifestações emocionais que representam seu interesse.
A Psicopedagogia é um corpo de conhecimentos estruturada de diferentes maneiras. A seguir destacamos algumas.
De acordo com Alves e Bossa(2) a Psicopedagogia é um campo no qual floresceu o conceito de sujeito autor, é uma área de estudo interdisciplinar que olha para o sujeito como um todo no contexto no qual está inserido, que estuda os caminhos do sujeito que aprende e do apreende, adquire, elabora, saboreia e transforma em saber o conhecimento. A concepção de sujeito autor como aquele que constrói seu pensamento se faz presente através de um “corpo” que sente, existe, ama e proclama sua liberdade de ser, de estar e viver no eterno presente, no eterno agora.
Para Bossa(3) a Psicopedagogia é concebida com uma configuração clínica, ainda que sua prática se dê em um enfoque preventivo e, esse caráter clínico significa levar em conta a singularidade do processo a ser investigado, recorrendo tanto aos diagnósticos e intervenções que lhe são comuns no trabalho institucional e clínico. Para a autora, o termo distingue-se em três conotações: como uma prática, como um campo de investigação do ato de aprender e como uma saber científico. A Psicopedagogia é entendida como uma área de aplicação que antecede o status de área de estudos, a qual tem procurado sistematizar um corpo teórico próprio, definir o seu objeto de estudo, delimitar o seu campo de atuação, e para isso recorrer à Psicologia, Psicanálise, Lingüística, Fonoaudiologia, Medicina, Pedagogia.
Segundo a autora, a Psicopedagogia deve se ocupar do estudo da aprendizagem humana e portanto, preocupar-se inicialmente com o processo de aprendizagem (como se aprende, como essa aprendizagem varia evolutivamente e está condicionada por diversos fatores, como se produzem as alterações na aprendizagem, como reconhecê-las, tratá-las e preveni-las). Seu objeto de estudo é, portanto, um sujeito a ser estudado por outro sujeito. Esse estudo pode ser através de um trabalho clínico ou preventivo. O primeiro se dá na relação entre um sujeito com sua história pessoal e sua modalidade de aprendizagem buscando compreender a mensagem de outro sujeito, implícita no não-aprender. Nesse processo, investigador e objeto-sujeito interagem constantemente. No segundo, a instituição (espaço físico e psíquico da aprendizagem) é objeto de estudos uma vez que são avaliados os processos didático-meto-dológicos e a dinâmica institucional que interferem no processo de aprendizagem.
Ainda, segundo a autora3 (p. 30), na sua função preventiva, cabe ao profissional: detectar possíveis perturbações no processo de aprendizagem; participar da dinâmica das relações da comunidade educativa, a fim de favorecer processos de integração e troca; promover orientações metodológicas de acordo com as característica dos indivíduos e grupos; realizar processos de orientação educacional, vocacional e ocupacional, tanto na forma individual quanto em grupo.
Segundo Scoz (4), a Psicopedagogia é uma área que estuda e lida com o processo de aprendizagem e suas dificuldades e que, numa ação profissional deve englobar vários campos do conhecimento integrando-os e sintetizando-os. Para a autora, a grande questão das escolas é encontrar caminhos que possibilitem ao professor a revisão de sua própria prática descobrindo alternativas possíveis para melhorar sua ação. Isso só é possível se o profissional da educação tiver acesso às informações das várias ciências - Pedagogia, Psicologia, Sociologia, Psicolingüística, de forma a atingir um conhecimento profundo vinculado a realidade educacional que, possibilite uma visão global do aluno.
Para Neves apud Bossa (3) (p. 19) “a psicopedagogia estuda o ato de aprender e ensinar, levando sempre em conta as realidades interna e externa da aprendizagem, tomadas em conjunto. E, mais, procurando colocar em pé de igualdade os aspectos cognitivos, afetivos e sociais que lhe estão implícitos”. Para Weiss apud Bossa (3) (p. 20) ela “busca a melhoria das relações com a aprendizagem, assim como a melhor qualidade na construção da própria aprendizagem de alunos e educadores”.
Segundo Macedo apud Bossa (3) (p. 31) as atividades do psicopedagogo são: orientação de estudos (organizar a vida escolar da criança quando esta não sabe fazê-lo espontaneamente); apropriação dos conteúdos escolares (propiciar o domínio de disciplinas escolares em que a criança não vem tendo um bom aproveitamento); desenvolvimento do raciocínio (trabalhos realizado com o processo de pensamento necessário ao ato de aprender); atendimento de crianças (atender deficientes mentais, autistas ou com comprometimentos orgânicos mais graves).
Meny apud Bossa (3) (p. 31-32) destaca as seguintes especificidades do trabalho: o “distúrbio de aprendizagem” é encarado como uma manifestação de uma perturbação que envolve a totalidade da personalidade; o desenvolvimento infantil é considerado a partir de uma perspectiva dinâmica, e é dentro dessa evolução dinâmica que o sintoma “distúrbio de aprendizagem” é estudado; a neutralidade do papel de psicopedagogo é negada e este conhece a importância da relação transferencial entre o profissional e o sujeito da aprendizagem; objetivo do psicopedagogo é levar o sujeito a reintegrar-se à vida escolar normal, respeitando as suas possibilidades e interesses.
Finalizamos, entende-se que Psicopedagogia é um campo do conhecimento que se propõe a integrar, de modo coerente, conhecimentos e princípios de diferentes Ciências Humanas com a meta de adquirir uma ampla compreensão sobre os variados processos inerentes ao aprender humano. Enquanto área de conhecimento multidisciplinar, interessa a Psicopedagogia compreender como ocorrem os processos de aprendizagem e entender as possíveis dificuldades, situadas neste movimento. Para tal, faz uso da integração e síntese de vários campos do conhecimento, tais como Psicologia, Psicanálise, Filosofia, Psicologia Transpessoal, Pedagogia, Neurologia, e outros. Ao psicopedagogo cabe o papel fundamental de ser mediador nos processos de transmissão e apropriação dos conhecimentos.

REFERÊNCIAS1.SAMPAIO, Simaia. Um pouco da história da psicopedagogia. Disponível em: http://www.psicopedagogia.com.br/opiniao/opiniao.asp?entrID=422. Acessado em Nov. 2006.
2. ALVES, Maria Dolores Fortes; BOSSA, Nádia. Psicopedagogia: em busca do sujeito autor. Disponível em: http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=809. Acessado em Nov. 2006.
3. BOSSA, Nádia A. A Psicopedagogia no Brasil: Contribuições a partir da prática. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
4. SCOZ, Beatriz J. L. (org.); BARONE, Leda M. C.; CAMPOS, Maria C. M; MENDES, Mônica H. Psicopedagogia: contextualização, formação e atuação profissional. Porto alegre: Artes Médica Sul, 1991.

Débora Bernardi Grandjean-Thomsen - Psicopedagoga
Fonte:http://www.intuslegere.net.br/Revista%206/p3-2010%206.htm

sexta-feira, 5 de março de 2010








Especial da Mulher

Mulher, tu és a força, a paz na família e na sociedade.
A felicidade está aonde você estiver.




Por Super Ane

8 de Março - Dia Internacional da Mulher



Todos sabem que o preconceito é um marco presente na vida da humanidade e a mulher não ficou de fora, em razão dele sofreu grandes perdas.

Ao longo da história, as mulheres estiveram sempre subjugadas às vontades dos homens, a trabalhar como serviçais, sem receber nada pelo seu trabalho ou então ganhavam um salário injusto, que não dava para sustentar sua família.

Em razão desses e tantos outros modos de discriminação contra a mulher, estas se uniram para buscar maior respeito a seus direitos, ao seu trabalho e à sua vida.

A discriminação era tão grande e séria que chegou ao ponto de operárias de uma fábrica têxtil serem queimadas vivas, presas à fábrica em que trabalhavam (em Nova Iorque) após uma manifestação onde reivindicavam melhores condições de trabalho, diminuição da carga horária de 16 para 10 horas diárias, salários iguais aos dos homens – estes chegavam a ganhar três vezes mais no exercício da mesma função.

Porém, em 8 de março de 1910, aconteceu na Dinamarca uma conferência internacional feminina, onde se discutiram os assuntos de interesse das mulheres, além de decidirem que a data seria uma homenagem àquelas mortas carbonizadas.

No governo do presidente Getúlio Vargas as coisas no Brasil tomaram outro rumo. Com a reforma da constituição, acontecida em 1932, as mulheres brasileiras ganharam os mesmos direitos trabalhistas que os homens, além de conquistarem o direito ao voto e a cargos políticos do executivo e do legislativo.

Ainda em nosso país, há poucos anos, foi aprovada a Lei Maria da Penha, como resultado da grande luta pelos direitos da mulher, garantindo bons tratos dentro de casa, para que não sejam mais espancadas por seus companheiros ou que sirvam como escravas sexuais dos mesmos.

Mas a mulher não desiste de lutar pelo seu crescimento, o dia 8 de março não é apenas marcado como uma data comemorativa, mas um dia para se firmarem discussões que visem à diminuição do preconceito, onde são discutidos assuntos que tratam da importância do papel da mulher diante da sociedade, trazendo sua importância para uma vida mais justa em todo o mundo.



fonte: http://www.superane.com.br/especial_mulher.php?idcat=377&cat=artigos-e-dicas-de-saude

terça-feira, 2 de março de 2010

Dislexia


Dislexia - Definição, Sinais e Avaliação

O maior erro que se pode fazer com os disléxicos é querer que eles escrevam como todo mundo.DislexiaDefinida como um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração, a dislexia é o distúrbio de maior incidência nas salas de aula. Pesquisas realizadas em vários países mostram que entre 05% e 17% da população mundial é disléxica.
Ao contrário do que muitos pensam, a dislexia não é o resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição sócio-econômica ou baixa inteligência. Ela é uma condição hereditária com alterações genéticas, apresentando ainda alterações no padrão neurológico.
Por esses múltiplos fatores é que a dislexia deve ser diagnosticada por uma equipe multidisciplinar. Esse tipo de avaliação dá condições de um acompanhamento mais efetivo das dificuldades após o diagnóstico, direcionando-o às particularidades de cada indivíduo, levando a resultados mais concretos.

Sinais de Alerta
Como a dislexia é genética e hereditária, se a criança possuir pais ou outros parentes disléxicos quanto mais cedo for realizado o diagnóstico melhor para os pais, à escola e à própria criança. A criança poderá passar pelo processo de avaliação realizada por uma equipe multidisciplinar especializada (vide adiante), mas se não houver passado pelo processo de alfabetização o diagnóstico será apenas de uma "criança de risco".
Haverá sempre:
dificuldades com a linguagem e escrita ;
dificuldades em escrever;
dificuldades com a ortografia;
lentidão na aprendizagem da leitura;
Haverá muitas vezes :
disgrafia (letra feia);
discalculia, dificuldade com a matemática, sobretudo na assimilação de símbolos e de decorar tabuada;
dificuldades com a memória de curto prazo e com a organização’;
dificuldades em seguir indicações de caminhos e em executar seqüências de tarefas complexas; dificuldades para compreender textos escritos;
dificuldades em aprender uma segunda língua.

Haverá às vezes:
dificuldades com a linguagem falada;
dificuldade com a percepção espacial;
confusão entre direita e esquerda.
Pré -Escola
Fique alerta se a criança apresentar alguns desses sintomas:
Dispersão;
Fraco desenvolvimento da atenção;
Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem;
Dificuldade em aprender rimas e canções;
Fraco desenvolvimento da coordenação motora;
Dificuldade com quebra cabeça;
Falta de interesse por livros impressos;
O fato de apresentar alguns desses sintomas não indica necessariamente que ela seja disléxica; há outros fatores a serem observados. Porém, com certeza, estaremos diante de um quadro que pede uma maior atenção e/ou estimulação.
Idade Escolar
Nesta fase, se a criança continua apresentando alguns ou vários dos sintomas a seguir, é necessário um diagnóstico e acompanhamento adequado, para que possa prosseguir seus estudos junto com os demais colegas e tenha menos prejuízo emocional:· Dificuldade na aquisição e automação da leitura e escrita;
-Pobre conhecimento de rima (sons iguais no final das palavras) e aliteração (sons iguais no início das palavras);
-Desatenção e dispersão;
-Dificuldade em copiar de livros e da lousa;
-Dificuldade na coordenação motora fina (desenhos, pintura) e/ou grossa (ginástica,dança,etc.); -Desorganização geral, podemos citar os constantes atrasos na entrega de trabalhos escolares e perda de materiais escolares;
-Confusão entre esquerda e direita;
-Dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas, etc...
- Vocabulário pobre, com sentenças curtas e imaturas ou sentenças longas e vagas;
-Dificuldade na memória de curto prazo, como instruções, recados, etc...
- Dificuldades em decorar seqüências, como meses do ano, alfabeto, tabuada, etc..
- Dificuldade na matemática e desenho geométrico;
-Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomias) Troca de letras na escrita;
- Dificuldade na aprendizagem de uma segunda língua;
-Problemas de conduta como: depressão, timidez excessiva ou o ‘’palhaço’’ da turma;
- Bom desempenho em provas orais.
Se nessa fase a criança não for acompanhada adequadamente, os sintomas persistirão e irão permear a fase adulta, com possíveis prejuízos emocionais e conseqüentemente sociais e profissionais.
Adultos
Se não teve um acompanhamento adequado na fase escolar ou pré-escolar, o adulto disléxico ainda apresentará dificuldades;
Continuada dificuldade na leitura e escrita;
Memória imediata prejudicada; Dificuldade na aprendizagem de uma segunda língua;
Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomia);
Dificuldade com direita e esquerda;
Dificuldade em organização;
Aspectos afetivos emocionais prejudicados, trazendo como conseqüência: depressão, ansiedade, baixa auto estima e algumas vezes o ingresso para as drogas e o álcool.

DIAGNÓSTICO

Os sintomas que podem indicar a dislexia, antes de um diagnóstico multidisciplinar, só indicam um distúrbio de aprendizagem, não confirmam a dislexia. E não pára por aí, os mesmos sintomas podem indicar outras situações, como lesões, síndromes e etc.
Então, como diagnosticar a dislexia?
Identificado o problema de rendimento escolar ou sintomas isolados, que podem ser percebidos na escola ou mesmo em casa, deve se procurar ajuda especializada.
Uma equipe multidisciplinar, formada por Psicóloga, Fonoaudióloga e Psicopedagoga Clínica deve iniciar uma minuciosa investigação. Essa mesma equipe deve ainda garantir uma maior abrangência do processo de avaliação, verificando a necessidade do parecer de outros profissionais, como Neurologista, Oftalmologista e outros, conforme o caso.
A equipe de profissionais deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia. É o que chamamos de AVALIAÇÃO MULTIDISCIPLINAR e de EXCLUSÃO.
Outros fatores deverão ser descartados, como déficit intelectual, disfunções ou deficiências auditivas e visuais, lesões cerebrais (congênitas e adquiridas), desordens afetivas anteriores ao processo de fracasso escolar (com constantes fracassos escolares o disléxico irá apresentar prejuízos emocionais, mas estes são conseqüências, não causa da dislexia).
Neste processo ainda é muito importante:
Tomar o parecer da escola, dos pais e levantar o histórico familiar e de evolução do paciente.
Essa avaliação não só identifica as causas das dificuldades apresentadas, assim como permite um encaminhamento adequado a cada caso, por meio de um relatório por escrito.
Sendo diagnosticada a dislexia, o encaminhamento orienta o acompanhamento consoante às particularidades de cada caso, o que permite que este seja mais eficaz e mais proveitoso, pois o profissional que assumir o caso não precisará de um tempo, para identificação do problema, bem como terá ainda acesso a pareceres importantes.
Conhecendo as causas das dificuldades, o potencial e as individualidades do indivíduo, o profissional pode utilizar a linha que achar mais conveniente.
Os resultados irão aparecer de forma consistente e progressiva. Ao contrário do que muitos pensam, o disléxico sempre contorna suas dificuldades, encontrando seu caminho. Ele responde bem a situações que possam ser associadas a vivências concretas e aos múltiplos sentidos. O disléxico também tem sua própria lógica, sendo muito importante o bom entrosamento entre profissional e paciente.
Outro passo importante a ser dado é definir um programa em etapas e somente passar para a seguinte após confirmar que a anterior foi devidamente absorvida, sempre retomando as etapas anteriores. Ë o que chamamos de sistema MULTISSENSORIAL e CUMULATIVO.
Também é de extrema importância haver uma boa troca de informações, experiências e até sintonia dos procedimentos executados, entre profissional, escola e família.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Dislexia


Dislexia (da contração das palavras gregas: dis = difícil, prejudicada, e lexis = palavra) caracteriza-se por uma dificuldade na área da leitura, escrita e soletração. A dislexia costuma ser identificada nas salas de aula durante a alfabetização sendo comum provocar uma defasagem inicial de aprendizado.A dislexia é mais frequentemente caracterizada pela dificuldade no aprendizado da decodificação das palavras, na leitura precisa e fluente e na fala. Pessoas disléxicas apresentam dificuldades na associação do som à letra (o princípio do alfabeto); também costumam trocar letras, p. ex. b com d, ou mesmo escrevê-las na ordem inversa, p.ex "ovóv" para vovó.
A dislexia, contudo, não é um problema visual, envolvendo o processamento da fala e escrita no cérebro, sendo comum também confundir direita com esquerda no sentido espacial. Esses sintomas podem coexistir ou mesmo se confundir com características de vários outros fatores de dificuldade de aprendizado tais como o déficit de atenção/hiperatividade, dispraxia, discalculia, e/ou disgrafia. Contudo a dislexia e as desordens do déficit de atenção e hiperatividade não estão correlacionados com problemas de desenvolvimento.

fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dislexia

DISLEXIA

Por Eliene Percília

É uma deficiência de aprendizagem na escrita, leitura, soletração, entre outros. Segundo pesquisas realizadas em diversos países, cerca de 17% da população mundial sofre de dislexia. Estudos revelam que de cada 10 crianças em sala de aula, duas são disléxicas. Normalmente, as pessoas associam a dislexia à má alfabetização, desatenção, condição socioeconômica, desmotivação e/ou baixa inteligência. Há 40 definições para estabelecer as causas da dislexia, porém a mais aceita é a que a dislexia não é nada mais do que uma condição genética, que apresenta alterações no padrão neurológico do indivíduo. Sendo assim, a criança herda a dislexia, portanto ela tem algum parente, pai, avô, tio, que também é disléxico. Por estar relacionada a diversos fatores, a dislexia deve ser diagnosticada por uma equipe multidisciplinar. Pois uma avaliação desse nível gera condições de um acompanhamento mais efetivo e eficaz das dificuldades, sendo tratado de acordo com as particularidades de cada indivíduo, levando assim a resultados mais consistentes. Quanto mais rápido for o diagnóstico, mais rápido e eficaz será o tratamento desse transtorno, evitando que a criança passe por situações constrangedoras em relação ao modo de falar, escrever, a falta de atenção, entre outros. A dislexia é mais comum em crianças, mas é possível encontrar esse distúrbio em um adulto. A deficiência não pode ser encarada como motivo de vergonha, pois há diversos casos de pessoas bem sucedidas que sofrem com a dislexia como, por exemplo, Tom Cruise (ator), Agatha Christie (autora), Thomas Edison (inventor), entre outros.

Existem ao todo cinco especificações da dislexia, são elas;

• Disgrafia: é a dificuldade em escrever, cometendo diversos erros ortográficos.

• Discalculia: é a dificuldade em compreender a linguagem matemática.

• Déficit de Atenção: quando a criança manifesta dificuldades de concentração.

• Hiperatividade: quando a criança possui uma atividade psicomotora excessiva.

• Hiporatividade: caracterizada pela baixa atividade psicomotora da criança.

Diferentes áreas do nosso cérebro exercem funções específicas, normalmente numa pessoa disléxica o cérebro tende a processar informações em uma única parte. Sua incidência não é diferenciada por sexo, acomete tanto meninas como meninos.

Sinais da dislexia:

- Na primeira parte da infância:

• Atraso no desenvolvimento motor;

• Atraso na deficiência na aquisição da fala;

• A criança apresenta ter dificuldade de entender o que está ouvindo;

• Distúrbios do sono;

• Chora muito e parece inquieta ou agitada, entre outros.

- A partir dos sete anos de idade:

• Lentidão ao fazer os deveres escolares;

• Interrompe constantemente a conversa dos demais;

• Só faz leitura silenciosa;

• Tem grande imaginação e criatividade;

• Tem mudanças bruscas de humor;

• Letra feia;

• Dificuldade com a percepção espacial;

• Confunde direita, esquerda, em cima, em baixo; na frente, atrás;

• Troca de palavras;

• Tolerância muito alta ou muito baixa à dor;

• Dificuldade de soletração e leitura;

• Inventa, acrescenta ou omite palavras ao ler e ao escrever, etc.;

Tratamento

Não existe um só tratamento para dislexia, porém a maioria enfatiza a assimilação de fonemas, o desenvolvimento do vocabulário, a melhoria da compreensão e fluência na leitura. É importante que a criança disléxica faça leitura em voz alta na presença de um adulto para que esse possa corrigi-la. É muito importante que a criança receba apoio, seja atendida com paciência pelos pais, familiares, amigos e professores. Pois a criança sofre com a falta de autoconfiança, ter esse apoio gera uma melhora significativa no comportamento do disléxico. É importante que a criança disléxica seja ensinada por professores capacitados, que tenham qualificação para ensiná-la, pois um profissional desqualificado pode agravar o problema de dislexia do indivíduo. A dislexia tem cura, só depende do profissional e da técnica utilizada no tratamento.

Fonte:http://www.brasilescola.com/saude/aspectos-dislexia.htm

Eu recomendoo livro: João, preste atenção!

Educar Pelo Exemplo